Lá está ela. No lugar mais privilegiado da sala de estar. Onisciente, onipresente e onipotente. Sempre proporcionanda emburrecimento em família.
Deus, o que será de nossos cerébros? É como se tivessem armas apontadas diretamente para nossas cabeças, enquanto as grandes coorporações televisivas nos fazem uma lobotomia. Me sinto, a cada minuto, perdendo grama e gramas de massa encefálica. E de paciência!
Criamos parcelas e mais parcelas para levarmos para dentros de nossas casas nada mais, nada menos, que uma incrível e poderosa arma de destruição em massa. Destruição de nossa originalidade, destruição de nossa autenticidade, destruição de nossa autonomia para a consequente aniquilação de nossas idéias. Ah sim. As idéias! Arma poderosa, Aliás, a única que possuimos contra o sistema, e , pela qual, estamos pagando para ser extinta.
Sejamos como os Macacos Sábios japoneses. Não falemos o mal, não ouçamos o mal, não vejamos o mal. Entre outras palavras, sejamos seletivos quanto ao que absorvemos intelectualmente. Pois, como mencionou o sociólogo Theodor Adorno, grande crítico e criador do conceito de Indústria Cultural: "O fato de não serem mais do que negócios, basta-lhes como ideologia".
Não condeno o meio de comunicação em massa em si, mas sim, o que ele é capaz em mãos erradas. O que faria Hitler se vivesse na era da informática? Talvez fossemos todos iguais hoje, como um rebanhode raça pura, pastando à vista de nosso querido Führer. Vivendo como ignorantes felizes em nosso mundo de censura.
Não sejamos ingênuos. Consequência semelhante não é tão utópica e distante quanto parece. Ou fazem parecer.
Chocante e exagerado?! Ótimo.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Basta um copo de mar para que se possa navegar...
Helena estava sentada na sala de jantar, fitava seu jardim através da porta-balcão aberta. Sentia a brisa. Prazer. Não sabia em que estava pensando, sabia apenas que admirava. Admirava a brisa, o pendular das folhas, a imprecisão das sombras, o ar de ociosidade. Tinha os olhos vidrados. Admirava, nem piscava.
Balançou a cabeça como se voltasse a si. Parecia, por um momento, que o tempo havia parado. Achou estranho. Reconfortante. Ultimamente tinha a impressão de que o tempo não parava ao menos para dizer "olá". Sabia apenas que ele estava lá, ao mesmo tempo em que lhe escapava por entre os dedos.
Já era noite. Helena havia preparado seu jantar e estava sentada em frente a TV, comendo e assistindo ao jornal, quando apagaram-se as luzes. Assim que se preparou para levantar e buscar algumas velas, manchas brancas esfumaçadas surgiram no breu como se formassem a palavra "olá". Helena logo pensou serem apenas efeitos causados em seus olhos pela mudança brusca de luminosidade. Esfregou os olhos e abriu-os novamente. Desta vez as manchas diziam "Olá, Helena".
Helena paralisou por um segundo. Estava perplexa. Rapidamente puxou as pernas ao encontro do peito, ficando de cócoras no sofá. Fazia muitos anos que nao sentia medo dessa forma. "Não há necessidade de pânico. Isto é apenas um desabafo".
Já não sabia se estava delirando, estava prestes a responder para um alfabeto flutuante em sua sala: "Quem é você? Desabafo?" "Eu sou o Tempo. Estava, aqui, hoje de manhã. Estou sempre aqui. E transcorro sempre na mesma velocidade" "Que quer dizer com isso? Que merda é essa?". Helena mantinha uma voz ligeiramente esganiçada, apesar desentir mais segurança. "Vocês humanos são ingratos. Crescem e ficam burros! Quando crianças, não reclamam de mim. Me aproveitam inteiramente, pois se esquecem que eu existo! E então crescem, compram relógios. Me enquadram. Me qualificam. Como se pudessem me controlar! Ah, Arrogantes! Pensam que a vida é uma porção que pode ser dividida, cujo medidor, sou eu! Eu sirvo apenas para girar o mundo, para dirigir o grande maquinário da história, mas aqueles que costroem os trilhos, ou melhor, aqueles que escrevem a própria história, são vocês! Pense nisso!
Acendem-se as luzes. A TV é ligada. O jornal retorna ao mesmo ponto de quando as luzes se apagaram. O tempo havia parado. Ou será que Helena havia cochilado e sonhado? Não, impossível. Ela se lembraria. Lembraria? Não sabia o que pensar. Não queria pensar. Chega! Aquilo havia sido um conselho. Um conselho único!
Foi ao lavabo. Lavou o rosto. Olhou-se no espelho. Lembrou de toda sua vida até ali. Quanto de seu tempo havia aproveitado realmente? "Preciso de algo forte". Foi até o bar da sala. Abriu um Whiskey que havia ganho de presente. Guardava-o para uma ocasião especial. Ligou o rádio. Tocava seu jazz favorito. Coincidência? Não, um convite. Foi até a varanda, deitou na rede, e ficou a contemplar as estrelas.
Balançou a cabeça como se voltasse a si. Parecia, por um momento, que o tempo havia parado. Achou estranho. Reconfortante. Ultimamente tinha a impressão de que o tempo não parava ao menos para dizer "olá". Sabia apenas que ele estava lá, ao mesmo tempo em que lhe escapava por entre os dedos.
Já era noite. Helena havia preparado seu jantar e estava sentada em frente a TV, comendo e assistindo ao jornal, quando apagaram-se as luzes. Assim que se preparou para levantar e buscar algumas velas, manchas brancas esfumaçadas surgiram no breu como se formassem a palavra "olá". Helena logo pensou serem apenas efeitos causados em seus olhos pela mudança brusca de luminosidade. Esfregou os olhos e abriu-os novamente. Desta vez as manchas diziam "Olá, Helena".
Helena paralisou por um segundo. Estava perplexa. Rapidamente puxou as pernas ao encontro do peito, ficando de cócoras no sofá. Fazia muitos anos que nao sentia medo dessa forma. "Não há necessidade de pânico. Isto é apenas um desabafo".
Já não sabia se estava delirando, estava prestes a responder para um alfabeto flutuante em sua sala: "Quem é você? Desabafo?" "Eu sou o Tempo. Estava, aqui, hoje de manhã. Estou sempre aqui. E transcorro sempre na mesma velocidade" "Que quer dizer com isso? Que merda é essa?". Helena mantinha uma voz ligeiramente esganiçada, apesar desentir mais segurança. "Vocês humanos são ingratos. Crescem e ficam burros! Quando crianças, não reclamam de mim. Me aproveitam inteiramente, pois se esquecem que eu existo! E então crescem, compram relógios. Me enquadram. Me qualificam. Como se pudessem me controlar! Ah, Arrogantes! Pensam que a vida é uma porção que pode ser dividida, cujo medidor, sou eu! Eu sirvo apenas para girar o mundo, para dirigir o grande maquinário da história, mas aqueles que costroem os trilhos, ou melhor, aqueles que escrevem a própria história, são vocês! Pense nisso!
Acendem-se as luzes. A TV é ligada. O jornal retorna ao mesmo ponto de quando as luzes se apagaram. O tempo havia parado. Ou será que Helena havia cochilado e sonhado? Não, impossível. Ela se lembraria. Lembraria? Não sabia o que pensar. Não queria pensar. Chega! Aquilo havia sido um conselho. Um conselho único!
Foi ao lavabo. Lavou o rosto. Olhou-se no espelho. Lembrou de toda sua vida até ali. Quanto de seu tempo havia aproveitado realmente? "Preciso de algo forte". Foi até o bar da sala. Abriu um Whiskey que havia ganho de presente. Guardava-o para uma ocasião especial. Ligou o rádio. Tocava seu jazz favorito. Coincidência? Não, um convite. Foi até a varanda, deitou na rede, e ficou a contemplar as estrelas.
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